“Meu ideal de namoro vai muito além de matar a solidão. Já tenho amigos que cumprem bem a função, então dispenso qualquer compromisso que se limite a isto. Namoro é um compromisso de envolvimento e dedicação mútuos, que demanda tempo, atenção, cuidados, esforço. Não é fácil, não é simples, mas quando o objetivo é atingido e a amizade se une ao companheirismo, ao desejo e à confiança, supera qualquer outra sensação existente.
Prefiro a minha própria companhia e estou feliz estando no singular, grata.”
Como diria a mãe, “jogo é jogo, treino é treino”. Eu levo namoro muito a sério, esqueço que é “só um namoro”. Que eu devo buscar confiança, etc, mas não devo buscar a pessoa com quem vou dividir minha vida. Até porque, eu tô muito nova pra dividir a vida. Meu primeiro namoro foi perfeito, depois disso eu só busquei relações difíceis e problemáticas, com pessoas que não tinham a menor possibilidade de me oferecer esse tipo de relação que eu idealizava. Não deve ser a toa, acho que tem uma auto-sabotagem implicita aí, exatamente porque meu primeiro namoro perfeito terminou por eu ser muito nova pra passar o resto da vida com aquela pessoa.
Pra mim, namorado tem que ser melhor amigo e não deve-se pensar que aquilo tem prazo de validade. Pra mim é eterno, mesmo que a paixão acabe, o amor resta, etc etc. Mas no final das contas isso é difícil pra caralho. Essa cumplicidade toda que eu espero, e acabo exigindo, por consequência, exige um nível de maturidade emocional muito alto. E pouca gente da minha idade tá preparada pra isso. Então, quando eu entro numa relação, por menos idealizada que seja, eu sempre busco essa cumplicidade. Mesmo sabendo que o outro não está pronto para corresponder. No fundo, o que eu mais desejo é uma resposta positiva, mas ao mesmo tempo em que é demais esperar isso de uma criança (porque não somos muito mais que crianças, ainda), não sei se eu mesma estou preparada para ter essa resposta.
Então a mãe tá em parte certa. Eu tenho maturidade pra ser cúmplice de outrem, mas eu não tenho maturidade para passar o resto da vida com a mesma pessoa. Eu ainda quero experimentar e viver coisas que não vivi, e nem viverei se estiver presa a alguém pra sempre. Não é como se eu não me dispusesse, racionalmente, a abrir mão dessas experiências por alguém. Mas eu tenho 20 anos e a curiosidade de uma criança. Eu ainda quero viver de tudo e não é um querer “controlável”. É uma ansiedade gigantesca, eu quero conhecer o mundo. Imagina se eu crio uma relação de cumplicidade assim com alguém que queira ficar estático, para sempre, no mesmo lugar? Foi mais ou menos o que aconteceu da primeira vez. E se eu continuar exigindo tanto, é o que vai continuar acontecendo pra sempre.
Mas nem por isso eu preciso tratar “namoro” como uma coisa banal, supérflua, só para satisfazer carências emocionais e/ou sexuais. Ah, se for sexo por sexo, que seja. Não precisa namorar para isso, certo? E namoro sem sentimento perde o propósito, certo? Então não culpo quem busca o sexo pelo sexo, uma vez que é uma necessidade natural. Mas eu também não consigo querer o sexo pelo sexo, eu ainda preciso me envolver em outros níveis.
Enfim, acho que enquanto eu insistir nesse relacionamento idealizado, eu mesma vou torna-lo inalcançável. Eu tenho é que ter um namoro leve, que me faça sentir bem e pronto. Não dá pra ser tão exigente, mas eu não consigo evitar. Meu ideal não vai mudar, e eu só vou casar quando encontrar alguém que pense assim. Eu tenho que parar de achar que namoro é casamento, mas sem banalizar também. Eu posso continuar com as minhas expectativas, desde que saiba ameniza-las e adaptá-las ao momento ideal.
Sou essa pessoa fresca que se vê.
Publicado originalmente em 22 de Setembro de 2010